Pesquisa personalizada

terça-feira, 13 de outubro de 2009

sumi...

Sumi porque só faço besteira em sua presença,

fico mudo quando deveria verbalizar,

digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar,

faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar,

pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar,

meu sumiço é covarde mas atento,

meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado,

a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.

Martha Medeiros



13 de outubro - 41 anos...

Feliz aniversário pra mim...

domingo, 20 de setembro de 2009

quando a gente ama...





Oswaldo Montenegro

coração teimoso...

indecente..só o rosto...

Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.
Nelson Rodrigues

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

para as mulheres...

Nelson Rodrigues - para as mulheres :

Na "mulher interessante", a beleza é secundária, irrelevante...
e, mesmo, indesejável.
A beleza interessa nos primeiros quinze dias;
e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando:
- "Ser bonita não interessa.
Seja interessante!"

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

catando os cacos do caos...


Catar os cacos do caos
como quem cata no deserto
o cacto
- como se fosse flor.

Catar os restos e ossos
da utopia
como de porta em porta
o lixeiro apanha
detritos da festa fria
e pobre no crepúsculo
se aquece na fogueira erguida
com os destroços do dia.

Catar a verdade contida
em cada concha de mão,
como o mendigo cata as pulgas
no pêlo
- do dia cão.

Recortar o sentido
como o alfaiate-artista,
costurá-lo pelo avesso
com a inconsútil emenda
à vista.

Como o arqueólogo
reunir os fragmentos,
como se ao vento
se pudessem pedir as flores
despetaladas no tempo.

Catar os cacos de Dionisio
e Baco, no mosaico antigo
e no copo seco erguido
beber o vinho
ou sangue vertido.

Catar os cacos de Orfeu partido
pela paixão das bacantes
e com Prometeu refazer
o fígado
- como era antes.

Catar palavras cortantes
no rio do escuro instante
e descobrir nessas pedras
o brilho do diamante.

É um quebra-cabeça? Então
de cabeça quebrada vamos
sobre a parede do nada
deixar gravada a emoção

Cacos de mim
Cacos do não
Cacos do sim
Cacos do antes
Cacos do fim

Não é dentro
nem fora
embora seja dentro e fora
no nunca e a toda hora
que violento
o sentido nos deflora.

Catar os cacos
do presente e outrora
e enfrentar a noite
com o vitral da aurora

Affonso Romano de Sant'Anna