sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

você foi... outra vez...

te desejo um final de ano diferente...

Que os abraços apertados não sejam questão de data,
mas de sinceridade e de transparente amor.

Que os presentes dados e recebidos
não contenham obrigação, mas leveza de coração.

Que as bênçãos da meia-noite não dependam de 1 minuto,
mas que venham para a vida toda.

Que a ceia não seja só de alimentos com bom tempero,
mas que tenha muitas pitadas de bons pensamentos.

Que a família, por maior ou menor que seja,
não apenas celebre a data com os melhores vinhos,
mas que celebre também os sagrados laços de sangue.

Que a árvore não esteja predestinada a ser
lançada ao lixo após as Festas, mas que seja tão
bem conservada quanto as mais verdes esperanças.

Que o presépio não só represente o nascimento
de Jesus, mas também o renascimento da criança
amorosa e inocente que ainda vive em ti.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Quindins na portaria... (amo quindim! :))...)




Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença". Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.
Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.
Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.
Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.
Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.
Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.
Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.
Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.
Pessoas estão jantando.
Pessoas estão preocupadas.
Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.
Pessoas estão chorando.
Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.
Pessoas estão se amando.
Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.
Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá.
Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade.
Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.
Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?
Nem se discute que o encontro é sagrado.
Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.
Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.
Quando mando flores, vou junto com o cartão.
Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

Martha Medeiros

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

lista de preferências...

Alegrias, as desmedidas.

Dores, as não curtidas.
Casos, os inconcebíveis.

Conselhos, os inexeqüíveis.

Meninas, as veras.
Mulheres, insinceras.

Orgasmos, os múltiplos.

Ódios, os mútuos.
Domicílios, os passageiros.

Adeuses, os bem ligeiros.

Artes, as não rentáveis.
Professores, os enterráveis.

Prazeres, os transparentes.

Projetos, os contingentes.

Inimigos, os delicados.

Amigos, os estouvados.

Cores, o rubro.

Meses, outubro.

Elementos, os fogos.

Divindades, o logos.

Vidas, as espontâneas.

Mortes, as instantâneas.

(Bertolt Brecht)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

saídas...


Não tem mais nada
Em cima da mesa
As cartas
Viraram cinzas
As letras
Perdidas
Em algum lugar
Da casa
Palavras desencontradas

Tudo se foi
Apenas a cadeira
Permanece ali
Navegando no mar
Do assoalho escuro
Os dois gatos
Na poltrona azul
Os seus olhos
No porta-retrato de vidro

Tudo apenas
Um desenho mental
Que refaço
No assoalho de madeira
Perto da porta de saída

(Karen Debértolis)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

disfarce...

Há um mês descobriu o significado de choro furtivo.

As lágrimas caem enquanto ela lava roupa, assiste a um filme, trabalha, ouve música ou caminha sozinha pela rua.

E secam de maneira tão delicada que as pessoas não percebem.

Ninguém percebe.

Ninguém sabe o que ela sente.

Falta.

É o que ela sente: a falta que alguém faz em sua vida.

(Rose)

sábado, 18 de outubro de 2008

quase o meu jardim... :)

uma parte de mim...

Na primeira parte da minha infância (até 5 anos) morei em uma fazenda.Era simplesmente incrível. Um universo inteiro a minha disposição. Até hoje sei exatamente como tudo era(com riqueza de detalhes). Onde ficava cada coisa, o cheiro, gosto, cores, sons...tudo.

Havia uma horta enorme onde minha mãe plantava os legumes e as verduras, que eu visitava todos os dias no final da tarde. O que eu ia fazer lá? Arrancar as cenouras limpá-las com a mão e comê-las lá mesmo. Eram deliciosas aquelas cenouras!

E o jardim?! Transformava-se numa casa imaginária linda e perfumada. Cada parte era uma dependência da casa. Onde estavam as margaridas brancas era a cozinha, a sala ficava junto a flores grandes e vermelhas que pareciam de veludo, mas que não sei o nome, o quarto era junto das rosas. Era o lugar mais perfumado e onde ficavam as bonecas, todas arrumadas e penteadas.

Existiam próximo ao jardim, várias árvores grandes que davam muita sombra. Eram os cinamomos. Onde ficava meu balanço. Esse era o 1º dos meus lugares preferidos. Eu subia todos os dias no cinamomo mais alto. Ficava horas lá em cima, imaginando coisas incríveis que eu faria: voar de avião, ser médica, viajar pelo mundo todo, mudar meu nome; primeiro para Regina depois seria Perla.

Sem contar que lá de cima eu podia ver muito longe, muito além da fazenda. Pulei várias vezes do cinamomo com um pano amarrado nos costas (como a capa do super homem), porque queria voar. Se ele conseguia porque eu não conseguiria? Também pulei algumas vezes com um guarda-chuva aberto, na tentativa de planar. Nos desenhos animados sempre dava certo! No final do dia, depois de todas as tentativas de voar frustradas, eu sentava no balanço e voava...balançava tão alto, mas tão alto que quando fechava os olhos tinha certeza que havia conseguido... até que minha mãe me chamava pra tomar banho e jantar. Sempre quis voar!

E as frutas? Muitas frutas! Pêssego, bergamota, laranja, pêra, pitanga(amo) e melancia(a minha preferida). Todas a minha mercê. Bastava que eu fosse ao pé e apanhasse.

Mas havia ainda outro lugar, o 2º na escala de importância. Era um pedaço de floresta que ficava relativamente perto de nossa casa. Ah! Lá era meu palácio! Eram tantas árvores, arbustos, troncos caídos, flores silvestres... Não! Não era isso! Eram torres, escadarias imensas, a sala do trono, guardas reais, damas, o jardim real...e eu: a rainha! Eram horas e horas vivendo no meu castelo, atendendo aos súditos. Sempre dizia a eles, quando vinha reclamar de dificuldades, porque vocês não plantam uma horta igual a da minha mãe? Porque não criam galinhas e porcos como meu pai? Porque sempre vinham a mim para querer ajuda? Eles tinham que ser mais inteligentes! Será que eu era uma boa rainha?

Mas no meu castelo também era lugar de ser romântica. Era o lugar de imaginar que um dia viria um príncipe de outro reino que se casaria comigo e seria o rei. Eu era precoce para pensar no amor? Talvez. Mas é preciso ter que idade para querer amar?

Meu castelo ainda era lugar para me esconder quando estava triste ou havia apanhado da minha mãe (o que acontecia com freqüência porque eu era “muito” comportada). No meu castelo eu podia chorar trancada na torre, ninguém me atrapalharia. Nunca gostei de se interrompida quando estou chorando.

Mas havia meu meio de transporte: meu triciclo. Mas é claro que eu não andava nele de forma convencional. Havia uma inclinação no terreno que ia do jardim ao castelo. Então eu colocava o triciclo lá em cima, sentava e nem pedalava, deixava que ele descesse ladeira abaixo em alta velocidade. Lógico que quando chegava lá em baixo eu caía igual abóbora cai de carroça.

Mas e daí? Levantava e empurrava o triciclo até o topo para descer de novo. Era tão emocionante a descida, a velocidade, que qualquer arranhão valia a pena.

Os segundos que eu descia eram tão especiais que eu fazia isso várias vezes, até não agüentar mais.

....

acho que continua... kkkkkkkkkkkkkk

(eu mesma :)...)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

tem dias que dá vontade...



vamos fugir, baby...
pra outro lugar...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

no meio do caminho...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

Olavo Bilac

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

40 anos...



40 anos???

Como?

Fazem alguns dias que esta menina nasceu!!

Era a primeira(e única) filha e também neta. Toda risonha, das bochechas grandes e rosadas e os olhos mais azuis que já se viu.

Não faz um mês ela subia nas árvores e tentava voar... brincava por horas no jardim correndo atrás das borboletas e carregando suas bonecas...

Sim, no máximo um mês!!!

40 anos???

Não!!!

Ainda na semana passada arrumava o cabelo para encontrar o namorado, passava um brilho nos lábios e saía faceira com os olhos cheios de sonhos...

40 anos!!!

Será?

E onde está a menina agora? Transformou-se em mulher...

Sim... 40 anos!!! Hoje...

(eu mesma :)...)

sábado, 11 de outubro de 2008

o verdadeiro amor...

Ainda que eu fale das maravilhas da terra e do céu

Se não tiver amor, serei como o bronze que soa,

ou como o címbalo que retine

Ainda que eu tenha o dom de proferir palestras

E conheça todos os versículos e toda a teologia;

Ainda que eu saiba falar com tamanha autoridade

Ao ponto de impressionar auditórios

Se não tiver amor, nada serei.

Ainda que eu distribua todos os meus dons

Entre os vários trabalhos da igreja.

E ainda que entregue o meu próprio tempo

Para ser gasto em atividades da causa do Senhor

Se não tiver amor, nada disso me aproveitará

O amor é paciente com os ignorantes

É benigno com os exaltados

O amor não arde em ciúmes por cargos

Não se ufana de realizações

Não se ensoberbece de posições sociais

Não se conduz inconvenientemente em público ou em segredo

Não procura os seus interesses ao fazer a coisas

Não se exaspera com a incompetência dos companheiros

Não se ressente do mal arquitetado

Não se alegra com a injustiça ao seu rival

Mas regozija-se com a verdade preservada

Tudo sofre com esperança

Tudo crê com discernimento

Tudo espera sem murmurações

Tudo suporta sem preconceitos

O amor jamais acaba...

(baseado em 1 Co 13)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

a simples história da minha videira...


No meu quintal tem uma videira

Quando a conheci era linda, graciosa, exuberante

E já no primeiro olhar, senti o convite para uma conversa.

Mas tinha cheiro de abandono.

Um dia ele foi podada.

Ficou feia e sem graça...

Perdeu a exuberância

Sobraram ramos escuros e retorcidos

Sem cor, sem vida

Quando a olhava sentia dó.

Vontade de consolá-la...

Achei que nunca mais seria agradável vê-la.

Mas o cheiro...não era mais de abandono...

Era cheiro de expectativa

A ordem foi dada: água todos os dias

Água foi dada.

Um dia descobri um broto muito tímido, depois outro, mais outro...

De repente não eram mais tímidos. Eram só festa!

O cheiro era de esperança.

Quando percebi, minha videira, estava linda novamente.

As folhas brilhantes e verdes, de um verde especial,

que contrasta perfeitamente com o azul do céu...ou do mar...

Num final de tarde,

Sentindo o cheiro doce e convidativo

Descobri o fruto da minha videira

Um pequeno e delicado cacho de uva, de um roxo fosco saboroso...

Gritei de alegria, como criança quando descobre um presente escondido.

Todas as tardes quando leio, sento-me perto dela.

O cheiro agora é de intimidade.

Conto-lhe histórias de outros mundos, de amores distantes, de sonhos e poesias...

Ela responde em sussurros ao vento, que toca a minha pele e me fala de futuro e sonhos...

Colhi muitos frutos da minha videira.

E a cada descoberta, cada colhida, mais alegrias, mais intimidade...

Agora somos amigas, trocamos segredos e planos...e muitos sorrisos enigmáticos..

O cheiro é de espera...o cheiro é de amor...o cheiro é de fruto que será colhido...

Minha videira é linda...e o cheiro que ela tem me é familiar...


(eu mesma...:)...)

02/09/07

é impressionante como as coisas podem mudar radicalmente de um momento para o outro...

Cecília...

Ando a procura de espaço

Para o desenho da vida.

Em números me embaraço

E perco sempre a medida

Se penso encontrar saída,

Em vez de abrir um compasso,

Protejo-me num abraço

E gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo.

É já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,

Começa a achar um cansaço

Esta procura de espaço

Para o desenho da vida.

Já por exausta e descrida

Não me animo a um breve traço:

__saudosa do que não faço,

__do que faço, arrependida.

(Cecília Meireles)

o que não...

O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeu-se. "


(Affonso Romano de Sant´Anna )


ai...como isso é verdade...

sábado, 4 de outubro de 2008

quem é você?

Outro dia estava reorganizando meu perfil no Orkut e deparei-me (de novo) com a primeira pergunta que aparece: Quem sou eu?

E (outra vez) fiquei inquieta com isso. Quem escreveria a verdade diante de uma pergunta dessas num site de relacionamentos?

O que sempre se lê é o quanto somos alegres, que queremos ter e ser amigos sinceros, que gostamos de pôr-do-sol, de cheiro de terra molhada. Escrevemos que somos a favor da proteção ao meio ambiente, somos contra políticos corruptos, que não se pode aceitar a discriminação nem o preconceito, que ajudamos em projetos sociais... e segue-se uma lista interminável de todas as coisas maravilhosas que somos ou que fazemos, sem esquecer que somos sempre alegres e amorosos ou estamos a procura de um grande amor...blá...blá...blá...blá...

Quem seria capaz de escrever o quão corrupto é quando compra todo tipo de filmes e softwares piratas?

Poderíamos escrever que estamos cansados de ouvir sobre preconceito e discriminações e isso realmente não nos incomoda mais, porque discriminamos a todos que não se enquadram em nosso sistema de vida. Ainda poderíamos escrever que o cheiro de terra molhada é muito gostoso, tanto que eu não tenha que sujar meus pés nessa mesma terra, e o pôr-do-sol é uma coisa que a muito tempo não vejo, porque estou sempre muito ocupada com a correria do dia-a-dia...

Seria bom se tivéssemos coragem pra escrever que já não somos tão amorosos quanto éramos, porque já fomos traídos e abandonados tantas vezes que agora não acreditamos em mais nada...Deveríamos escrever que, na maioria das vezes, nosso sorriso é forçado e que a alegria dura o tempo de rir de uma piada nova...

Quem sou eu?...Será que se eu disser o que sei a meu respeito você irá querer me conhecer?

E quem é você?...

(eu mesma... :-)...)



sexta-feira, 3 de outubro de 2008

não olhe...pq se olhar...

"Porque você não pode voltar atrás no que vê.
Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser.
Até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável.
Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido.
As coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."

Karlinha



ainda que eu...


Ainda que eu seja bonita

Ainda que eu seja bonita e boa de cama

Ainda que eu seja bonita, boa de cama e inteligente

Ainda que eu seja bonita, boa de cama, Lilian Wite Fibe
e não dependure calcinhas no chuveiro

Ainda assim "ainda que"

Pois os rótulos não se ajustam nada bem ao meu quadril.

Karla Jacobina (http://elasporela.blogspot.com/)



maçã...mulher... será? :)

mulheres maçãs...maçãs mulheres...

As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos.


Mulheres são como maçãs em árvores.


As melhores estão no topo.


Os homens não querem alcançar essas boas,


porque eles têm medo de cair e se machucar.


Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão,


que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.


Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade,


ELES estão errados...


Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar...


aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.

MACHADO DE ASSIS

en cantos...

en cantos...

Há uma vida
sabendo-se mais que todo o mundo.
Esconde-se em cada canto
um mundo diferente
que tudo sabe.
Há o momento do encontro
em cada canto
que nem todo mundo sabe.
Nem todo o canto
se mostra
nem toda vida
nem o mundo,
tanto, sabendo
da vida, tanta,
que todo canto tem.
Há uma vida agora
que vai chegando
indo também
para todo canto
que tem.
(Victor Zazuela)







terça-feira, 16 de setembro de 2008

extravio...

Saudade eu tenho do que não nos coube

Lamento apenas o desconhecido

Daquilo que não deu tempo de repartir

Você não saboreou o meu suor

Eu não lhe provei as lágrimas

É no líquido que somos desvendados

No gosto das coisas o amor se reconhece

O meu pior e o mue melhor e os seus

Ficaram sem ser apresentados.

(Martha Medeiros)

...bem q poderia ter sido escrito por mim...

tentativa

Bem que tenho tentado escrever, mas meu blog não me aceita mais...kkkkkkkkkkkkkk
ele tem estado muito sentimental ultimamente, acho que é pq o abandonei ... kkkkkkkkkkk

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

escrever é vomitar...

"(...) Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se.
Fartamente.
Depois vomite.
Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta.
Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma.
Pode sair até uma flor.
Mas o momento decisivo é o dedo na garganta (...)" Karlinha

Li isto outro dia no blog da Karlinha e fiquei pensando...pensando...e conclui que é verdade. Mas é uma verdade que tenho evitado. Sei que tenho mto que dizer, mas estou com medo de "colocar o dedo na garganta". Vai doer...e deixar uma sensação amarga na boca... mas tbm sei que é a única forma de me tirar desse estado de mal-estar...
Só preciso de coragem...

planta carnívora...

"Lembranças são como plantas carnívoras. Não é você que alimenta suas lembranças. São elas que se alimentam de você!"(Bruna Lombardi)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

eu sem você...

Samba em prelúdio

Eu
sem você,
não sei nem porquê,
porque sem você,
não sei nem chorar,
sou chama sem luz,
jardim sem luar,
luar sem amor,
amor sem se dar.
E eu sem você,
sou só desamor,
sou barco sem mar,
sou campo sem flor,
tristeza que vai,
tristeza que vem,
sem você, meu amor,
eu não sou ninguém.

(Vinícius de Moraes )

poeisa ...

poesia
não enche barriga,
por isso, em matéria de barriga
prefiro um bom bife
ao molho Baudelaire
um espaguete ao Dante,
uma salada Leminski.
ah!
é claro
um vinho.
um bom e velho
vinho Borges
das caves misteriosas
onde os adventos
caminham de sandálias
macias
para não acordar os espíritos
e as válvulas Hidra

Paulo Salles - http://paulodesalles.blogspot.com/

domingo, 24 de agosto de 2008

p.s...

um texto de Ghiovana...

Paciência - sem querer a esqueci, devo ter deixado na janela do meu quarto, enquanto observava o nada, e agora o vento levou...

Tomara que alguém que realmente precise ache, porque eu não tenho mais paciência alguma pra sair correndo a procura de uma fugitiva que se foi sem nem se despedir, foi só o vento lhe prometer liberdade pra ela me deixar.

Agora continuo na idéia de caminho que a maioria das pessoas tem da vida, parando, só de vez em quando nesses postos velhos de gasolina que há espalhados pelo mundo inteiro pra beber água, fazer xixi e comprar balas e daí sigo caminho rumo ao desconhecido.

Não tenho do que reclamar, tenho ainda uma companheira que não se deixa levar pela bela conversa do vento: a esperança - ta comigo sempre. E como conversa demais, não cansa de dizer que depois da curva deve ter algum lindo girassol.

Sei que na maior parte das vezes é conversa fiada, mas ela fala tão bem e chega a me convencer; com esse converseiro louco ela consegue animar a viagem que continua ora com carona ora a pé, ora com fortes chuvas ora com sol forte, ora feliz ora triste.

Quem sabe aonde posso chegar ao fim desse caminho?

Ghiovana da Rosa Machado Cruz ( minha filhota linda)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

...cecília meireles...

Nunca eu tivera querido
Dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca
e depois no teu ouvido.
Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.
O sentido está guardado
no rosto com que me miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.
Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Essa tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem...
Só se aquele mesmo vento
fechou teus olhos, também..." (Cecília Meireles)

equilibrio laranja - Paulo Salles

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

não há vagas...

O preço do feijão não cabe no poema.

O preço do arroz não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás, a luz, o telefone

A sonegação do leite, da carne, do açúcar, do pão.

O funcionário público não cabe no poema

Com seu salário de fome

Sua vida fechada em arquivos.

Como não cabe no poema

O operário, que esmerila seu dia de aço

E carvão nas oficinas escuras.

- porque o poema, senhores,

Está fechado: “não há vagas”

Só cabe no poema

O homem sem estômago

A mulher de nuvens

A fruta sem preço.

O poema, senhores,

Não fede nem cheira.

(Ferreira Gullar)

silêncio das janelas...

Silêncio das janelas

Minhas lágrimas inverteram seu caminho,
Lágrimas correm dentro de mim
Tenho a pele seca.

Tuas mãos não se molham em mim
Minha
alma se fecha tal qual a janela
Com trancas, com medo,
Em silêncio.

(liliana Miranda)

mel com cicuta...

Beijaram-se em silêncio.

Um beijo ausente e perdido

num passado muito vivido.

Falar dói.

Descobriu ela quase que ingenuamente.

Deixou-se levar no vazio

como uma borboleta perdida

no umbigo da ventania.

O brilho no toque morria aos poucos,

arrepiando cada centímetro

do sorriso afogado

nas palavras presas na garganta.

Escreveu.

Estava certa,

silêncios de veludo matam suavemente

como mel com cicuta.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

de repente... ainda...de repente...

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Morais

de repente...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

palavrum...

Para falar de amor, um poema.

Para o ódio, estratagemas.

Para o caos, leis.

Para caçar raposas, reis.

Para aprender, cartilha.

Para o incompreensível, Deus.

Para o pão, partilha.

Para você, eu.

Palavras

Em cada batalha

Que o homem trava.

Algaravia.

Para que a vida a pena valha,

Só peço uma que não se descubra vazia.

Paulo Dáuria